Subtítulo:
Um Anjo Bráulio na Terra
Preâmbulo:
Se exceptuarmos os tipos que passam a vida nas nuvens e os humanos que trabalham no espaço celeste, a população mundial com os pés fixos na Terra vai a caminho dos 7 biliões (7.000.000.000). Desses, aproximadamente 10 milhões são portugueses de Portugal, enquanto cerca de 5 milhões são portugueses do 'mundo'. Portanto, o número de portugueses vivos, daqueles que consomem oxigénio e gastam recursos naturais (15 milhões), representa apenas 0,21% da humanidade. Uma infinidade de fazer corar o nosso pai, D. Afonso Henriques.
Contudo, sempre que a nível mundial se dá um acidente aéreo / calamidade natural / atentado bombista / desastre nuclear / etc., há sempre portugueses incluídos nas contagens de vítimas, mesmo que a taxa 'tuga' de penetração a nível global seja considerada risível, como já verificámos. Nem que o trágico acontecimento tenha lugar em Laos, Sri Lanka ou Madagáscar, é certinho que vai haver portugueses metidos ao barulho. É aquele capricho, de resto bem português, de querer 'aparecer' em toda a parte.
Tudo começou em Fátima com a Nossa Senhora portuguesa, que também tinha muito essa mania. Já o D. Sebastião só 'aparecia' quando o tempo estava assim mais para o fusco...
Depois também temos o oposto, que são aqueles portugueses que acham extremamente aborrecido essa coisa de andar constantemente metido em situações perigosas, que podem inclusivamente aleijar a pessoa com alguma gravidade e preferem fazer 'aparições' bem mais seguras:
- 'aparecer' junto de celebridades da política, por exemplo.
1ª parte:
Vem isto a propósito deste 'post' de José Matos sobre D. Bráulio Cardoso, personagem que de todo não conhecia, confesso. Se eu tivesse que decorar o nome de todos os emplastros nacionais não teria tempo disponível para levar a cabo outras coisas igualmente importantes para o desenvolvimento mundial, como anotar matrículas, coleccionar latinhas de refrigerante cheias de ferrugem e encadernar panfletos de antigas campanhas autárquicas.
Se bem que a conotação de D. Bráulio com o epíteto de 'emplastro' possa até ser injusta pois este é um daqueles casos excepcionais em que o emplastro não é o que segue atrás, mas antes os que vão na sua dianteira. 'Emplastros' são o Cavaco e a sua Maria, o Passos Coelho, o falecido Candal e todos as restantes celebridades políticas que se acotovelam furiosamente para conseguirem figurar no mesmo enquadramento fotográfico de D. Bráulio. É um fruto apetecível, não haja dúvida. Digamos que D. Bráulio não é bem um 'emplastro' mas antes um 'remendo'.
Já escrevi que não conhecia D. Bráulio e até desconheço se ele é Dom por ser da realeza ou se nasceu com o dom de 'aparecer'. Mas agora que o passei a conhecer não tenho pejo em admitir que fiquei fã. Fazem-nos falta individualidades destas tão graciosas. Fazem falta não só à política, como ao 'showbizz', ao 'showbusiness', ao 'showtime' e ao 'big show sic'. Já estou até a imaginar uma parelha em que ele e o macaco Hadriano ladeiam uma actuação ao vivo de João Claro e suas bailarinas amestradas.
Entretanto, descobri muita coisa acerca deste Dom Fenómeno. Descobri, por exemplo, que em pequenito passava férias em casa da avó de Fermelã. Lá, mais ou menos quem vai para o monte, o ar rarefeito acabou por moldar-lhe os traços da personalidade. No início era irrequieto e estoirava a paciência à avó. Já na idade adulta, mais sabido, optou por estoirar o que era da avó. Na minha investigação preliminar para tentar saber mais acerca de D. Bráulio, a frase que mais escutei foi: "ele tinha uma pancada".
Inveja!!
Pura inveja!!!
Pancada temos nós que nos erguemos da cama às 7h00 para ir trabalhar, sem saber se iremos receber no fim do mês. D. Bráulio sempre foi mais astuto que as grandes massas. Nunca teve foi muito jeito para lidar com as 'massas'.
Mesmo que haja alguém que persista em considerar D. Bráulio um mero figurão com funções sócio-decorativas, esse estereótipo cai completamente por terra pois D. Bráulio até pode ser um emplastro - que É - mas é um emplastro personalizado, com opinião formada, consistente e com uma linha editorial coerente. E sabe-se que isso não é fácil nos dias que correm. Reparemos no seguinte trecho de opinião, autoria de D. Bráulio, acerca de Paulo Rangel, publicado no seu blogue "Por um Portugal Melhor":
"um homem sem princípios de lealdade e de respeito pelos compromissos assumidos ... depois das atitudes que recentemente protagonizou, nunca poderá no futuro próximo, ser considerado um Homem confiável na PALAVRA DADA ... na minha opinião é um 'Trauliteiro' barato".
E agora sobre Manuela Ferreira Leite:
"...e reafirmar que é minha forte convicção que só esta vitória da Dra. Manuela Ferreira Leite poderá salvar o PSD do descalabro total...".
E novamente sobre MFL:
"A Direcção do PSD, sob a Liderança da Dra. Manuela Ferreira Leite, protagonizou mais uma página sinistra e fratricida para o Partido Social Democrata. Estou convencido que o desastre da Sua Liderança se deveu a erros colectivos da Sua Direcção em série".
E sobre Passos Coelho:
"o Pedro Passos Coelho, actualmente, é o melhor para liderar o PSD. Apoio fortemente PPC".
Portanto, isto é só uma questão de tempo até PPC começar, também ele, a ser vaiado pelo coerente D. Bráulio. Aliás, a esta hora D. Bráulio já deve estar arrependido daquilo que escreveu sobre o acual líder do PSD. No fundo e em abono da verdade - e até como arma de defesa para as incongruências mentais de D. Bráulio - tem sido esta a sina dos militantes sociais-democratas nos últimos 15 anos, ou seja, "mete lá outro que este é que é!!!" Mais ou menos como o Sporting.
Bom, pelo menos, D. Bráulio ainda consegue alinhavar (apesar da inconstância factual) duas ou três 'idéias-chave' acerca dos candidatos. Repare-se agora no discurso de campanha pró-Rangel emitido por esta pobre 'Jota' do Seixal:
Simplesmente tenebroso!!!
- Ó Ana Filipa, filha, não envergonhes mais o PSD e volta lá para a faculdade de Direito para ver se quando saires de lá a tua ideologia política já esteja definida!!!
Mais.
D. Bráulio é um fervoroso adepto do investimento no comércio tradicional local:
"aproveito e publico algumas fotografias neste blogue do registo da altura em que depositava pessoalmente o meu arranjo floral no Jazigo do Dr. Carlos Candal (Eram 14.12 Horas) que com muito carinho foi feito pela Minha Querida Amiga - Fernanda – Proprietária da Florista Orquídea – Na Rua D. Manuel I – Conjunto Altamira – Loja GC. – Em Estarreja".
Interstício para pipocas e pequena reflexão espiritual:
É extraordinária a forma como D. Bráulio utiliza o ponteiro dos minutos, com precisão invejável, ponteiro esse que costuma ser tão menosprezado por nós, a plebe. Quantas das vezes marcamos um encontro e esse encontro, que podia muito bem ser agendado para as 9h43, acaba por ter lugar às 10h00?? Pois é... D. Bráulio tem a sua agenda dividida por minutos, enquanto nós os saloios ainda estamos no século passado, marcando reuniões, almoços e encontros amorosos pelo meridiano de Greenwich. Se começássemos a fazer um esforço para entrar ao serviço às 08h56, na vez das 09h00 habituais, este país estaria há muito noutro patamar de produção. Se as urnas encerrassem às 19h14 e não às 19h00, se calhar o PS até tinha ganho cá em Estarreja.
2ª parte:
É comovente o carinho com que D. Bráulio se refere à pequena florista do Bairro Altamira, sendo D. Bráulio um expoente máximo daquilo que é a cidadania global. D. Bráulio é um cidadão do mundo mas não esquece as suas raízes. D. Braúlio é um cidadão da galáxia mas tem aqui o seu caule. D. Bráulio vagueia pelo cosmos político mas foi em Estarreja que desenvolveu os seus ramos e criou as suas vagens. Em resumo, D. Bráulio é um cidadão deste e de outros mundos que possam eventualmente existir ou que estejam ainda para ser inventados. Aliás, D. Bráulio é um cidadão tão omnipresente, mas tão omnipresente, que quando se dá uma eleição ele nem sabe a que área é que se deve dirigir para ir votar:
"se Pedro Passos Coelho vencer estas directas como Eu espero e desejo, irei começar a ter uma participação militante activa; - Neste momento ainda não decidi onde, visto que tenho Residências em Aveiro, Estarreja, Funchal, Oliveira do Hospital e Lisboa".
Absolutamente soberbo!!! D. Bráulio pode gabar-se de estar recenseado em várias terras e talvez, quem sabe, até lá fora no chamado circulo da emigração. Em Marte, por exemplo.
Para o bem deste blogue, que começa a ficar com falta de assunto, espero que seja Estarreja a escolhida. Uma figura tão multifacetada seria merecedora de entradas no 'aviscosidades' a qualquer hora do dia. Há que arranjar um 'job' para este 'boy' rapidamente, pois a única personalidade política local que se consegue aproximar ligeiramente das qualidades de furão de D. Bráulio, é Hilário Matos. Aliás, D. Hilário!!!
Que interessante seria acompanhar de perto o choque entre estes dois titãs da 'emplastria' municipal...
Resta escrever que D. Bráulio só não chegou mais longe na estrutura do partido e da nação porque optou pela negação daquilo que costuma ser a conduta habitual dos grandes mestres políticos:
"poderia ter outro percurso, se tivesse a personalidade de alguns "Yes Man" da minha geração na estrutura do Partido, como Jaime Milhomens e tantos outros; - Mas se voltasse atrás teria feito o mesmo percurso; - Não nasci para ser correia de transmissão dos pensamentos de outros".
É com este orgulho quase sobrenatural e consciência plenamente tranquila que D. Bráulio assume a sua condição de "No Man" do PSD. Sei bem o regozijo que sente D. Bráulio pois uma vez também 'esgalhei' a correia de transmissão e custou-me uma fortuna.
Bravo, D. Cardoso!
O entusiasmo com que D. Bráulio assina os textos é de uma inocência desarmante e por muito insensíveis que sejam os seus leitores é impossível chegar ao final de uma crónica 'brauliana' e não sentir uma pitada de comoção, uma pontada no coração e uma ou outra gotícula lacrimal a querer escorrer para o exterior da nossa cavidade ocular. Atentem na forma como D. Bráulio exterioriza as emoções quando analisa, com pesada sofreguidão, o actual estado inerte das outrora alegres tertúlias do café Miranda:
"...sinto uma enorme tristeza, depois de estar sem visitar Estarreja, desde 1998, assistir agora no meu regresso a Estarreja, à plangente postura das pessoas na actualidade; - O Café Miranda neste momento não tem ninguém com qualidade para se debater seja o que for de forma séria e consistente; - é com profunda tristeza que me limito a entrar no Café Miranda, tomo um café e saio logo a seguir, - porque me dá “náuseas“ o actual auditório - É muito lamentável que em tão pouco tempo o Café Miranda que foi uma grande casa de debate intelectual sobre o País; - Agora seja uma casa, onde a mediocridade é patente e visível..."
Desconheço quem sejam na actualidade os habituais clientes do café Miranda, mas que eles não ficam nada bem na fotografia, isso é garantido.
"Náuseas"? Será o café Miranda ainda mais nauseabundo que o aterro de Taboeira? Nunca imaginei...
Ou será que desde que os "intelectuais" lavadinhos abandonaram o café Miranda só lá ficaram os mal-cheirosos?
Não haver lá ninguém com "qualidade" é sinónimo que aquela gente já ultrapassou em muitos anos o prazo de validade?
A "mediocridade é patente"? Então mas esse não é o adjectivo que a gente utiliza para caracterizar os habitantes daquela casa enorme, com portadas gigantes, mesmo ao lado do café Miranda?
Enfim... pobre café Miranda!!! Era bem preferível levar uma pesada multa da ASAE e seguir em frente, do que ser completamente arrasado pela indignação pró-higiénica de D. Bráulio.
O pior foi quando - mais à frente - descobri que a increpação 'brauliana' para com o actual estado de conservação intelectual é extensivo a toda a cidade e não apenas aos frequentadores do "néscio, inculto e ignorante" café Miranda:
"...quando vim a Estarreja, para passar uns dias com a Minha Sogra e Esposa, a realidade que encontrei, foi para mim um dos maiores choques que tive em toda a minha vida... a mediocridade..."
Digamos que juntar 'Sogra' e 'mediocridade' no mesmo parágrafo é imerecido pois se não fosse a sogra, muitos sonhos de D. Bráulio não teriam sido concretizados. Na senda da avó...
Porém, o que importa mesmo realçar é que a franja intelectual das margens do Antuã leva uma tareia monumental, daquelas que irão levar anos a sarar. À beira disto a erupção do Krakatoa - da qual o planeta levou 22 anos a recompor-se - não passa de uma ténue e indolor erupção cutânea. D. Bráulio mete o dedo bem fundo no âmago dos intelectuais locais e roda até fazer ferida. Que crueldade absoluta, Meu Deus!!!
Eu, que não suporto intelectuais, chego a ter pena deles tal é a tirania de D. Bráulio maquiavelicamente jorrada em cima desses pobres caçadores de andorinhas. O que diria D. Braúlio se assistisse a um concerto dos 'Taxi-Taxi' juntos dos Sardo 'Brothers'? A sua dose de indignação seria mais potente que a detonação de 3 bombas atómicas no centro de Estarreja e mais mortífera que a descarga de 7 'SIMRIAS' no esteiro de Canelas. Não haveria intelectual que tão cedo viesse à superfície do CTE...
Últimos créditos:
Está visto que Estarreja e a sua mentalidade são pequenas demais para conter a sede de protagonismo de D. Bráulio entre portas. D. Bráulio precisa de se expandir, dilatar, inchar e enfunar, como uma vela de barco de recreio. Não obstante, caso D. Bráulio leia outros blogues que não o dele e se algum dia, por manifesto acidente, vier a ler estas linhas, informo que estou disponível para um frente-a-frente intelectual 'against' D. Bráulio. Apenas imponho uma condicionante para assim não me sentir tão desconfortável, dado que tenho perfeita noção que no duelo mental contra tão distinta personagem estarei a jogar fora de casa.
A condição é:
na minha qualidade de fundador, autor e legítimo proprietário do blogue mais 'medíocre' e 'sem qualidade' do concelho de Estarreja, imponho que o nosso debate tenha lugar no...
...café Miranda!
Se possível, sem a sogra...
Extras: lamento que no seu blogue, o qual percorri de lés-a-lés, D. Bráulio não tenha contado aquela famosa passagem do dia inesquecível em que insultou as colegas de turma e chamou "paneleiros" aos professores e se jogou, todo vestido, para dentro de uma piscina. Nada de extraordinário, não fosse o facto da piscina estar...
...Vazia!
D. Bráulio é assim. Natural. Irreflectido. Exuberante. Genuíno. Frontal. Estilo carpa.
Sou adepto.
Aliás, quando escrevo sobre D. Bráulio, lembro-me automaticamente daquela anedota que reza assim: "era um agente secreto tão secreto, que quando descobriu que era agente secreto, aniquilou-se".
No entanto o seu blogue tem estado um tanto 'paradito' mas não entrem em pânico, caros leitores, pois a explicação é simples e é-nos transmitida pelo seu gabinete de imprensa e assessoria variada, com sede em Madrid (sim, D. Bráulio também está recenseado pela Comuna de Madrid, é impressionante!!!):
"...toda a Equipa Informática por mim (assessor de D. Bráulio) liderada e que em Madrid trabalha em exclusividade para D. Bràulio Cardoso, já tem todo o Historial Fotográfico, Vídeo e Documental de D. Bràulio Cardoso Digitalizado e estamos a preparar, uma futura renovação do aspecto físico do Blogue, assim como a incorporação das várias Redes Sócias ligadas ao Blogue – Ainda este ano, esperamos colocar grande parte do material digitalizado na Internet, com a possibilidade dos Cibernautas fazerem cópias para os seus Computadores de forma gratuita..."
Mal posso esperar pelo dia em que irei ter ao meu dispor, de forma totalmente gratuita, o espólio documental de D. Bráulio para poder consultar no recato do meu lar e assim poder vir a aprender MAIS sobre a vida e obra deste verdadeiro fora de série do mundo 'políticosocialeconómicoempresarial'...
O futuro só pode ser risonho.
O futuro a D. Bráulio pertence.
D. Bráulio, o único humano a nível mundial que pode votar em dezenas de círculos eleitorais distintos e que escreve "Eu" com letra grande.
Para mim é um 'Deus'.