Finalmente um pouco sobre mim.
Este é o inicio de uma crónica recheada de lugares-comuns e como toda a gente sabe - embora nunca seja demais relembrar - um lugar-comum é o lugar onde vamos sempre tomar café religiosamente desde há 30 anos, e o jornal que se encontra pousado em cima do balcão é sempre o número da semana passada, mas enigmaticamente continua a haver gente a pegar nele para ler. São dois bons exemplos de lugares-comuns: o lugar do jornal, que é a única secção do balcão que não se encontra carregada de esterco, e o lugar do morto, que é o nosso, especialmente se formos escrevedores em blogues.
O café do Parque Municipal não é ainda um lugar-comum e duvido muito que algum dia venha a ser, pois, se por um lado os seus jornais costumam estar actualizados, por outro, muito dificilmente o café do Parque chegará às 3 décadas de abertura ao público, especialmente se a ideia da lagoa de Fernando Mendonça for aproveitada pelo próximo Presidente da Câmara eleito pelo PSD.
Sou daqueles tipos que é costume dizer-se que não dá ponto sem nó, a menos que do outro lado da discussão esteja um marinheiro da política. Já havia os pára-quedistas políticos e agora, com todos estes projectos aquosos da nova piscina de Estarreja, da Lagoa do Antuã e da praia fluvial de Pardilhó, não esquecendo os submarinos da nação, começaram a aparecer os políticos marinheiros.
Prezo muito a frontalidade nas relações humanas e quando cumprimento alguém tenho isso em mente, aparecendo sempre pela frente e nunca pela retaguarda. Isto é ser frontal. Já os padres, esses, nunca revelam frontalidade em nada. Basta ver que nos casamentos aparecem sempre por trás, no confessionário costumam estar sempre por trás da cortina e quando levam os meninos à sacristia 'entram' sempre pela parte de trás.
Tenho uma vida super ocupada e não tenho tempo a perder com blogues, ainda por cima de autores anónimos. Leio o meu blogue, sim, mas o meu blogue não é anónimo, pelo menos para mim que conheço o seu autor.
Novelas da TVI também não vejo nenhuma - à semelhança de grande parte dos portugueses - apesar de eu e esses portugueses sabermos com quem é que a 'Marlene' anda metida. É engraçado que ninguém vê as novelas da TVI mas as mesmas têm mais audiência que a afluência às urnas de uma eleição legislativa.
Também tenho coisas mais importantes em que pensar para além do futebol, aliás, defendo sempre em grupos de amigos que existe vida para além do futebol. Se bem que depois começa o jogo e o debate político dá lugar às 'caralhadas' contra o árbitro.
Gostava da série O Justiceiro. Antes de ter um blogue anónimo, o meu projecto de vida era ser possuídor de um carro preto que falasse. Só que aí, em vez de me chamarem 'reles cobarde que manda postas a coberto do anonimato', iriam passar a chamar-me nomes ainda mais horrorosos e hediondos como 'ventríloquo', 'engastrimitista' ou pior ainda, Abílio. Não sei se já repararam mas o vereador dá sempre a sensação que tem alguém por trás a falar por ele. Aquela voz já não se usa há uns bons 25 anos, mas enfim, o vereador teima em não refundir o seu reportório vocal.
Ainda bem que se fala no termo 'refundir' pois uma lâmpada pública da minha rua fundiu recentemente. Como é que fazemos? O fiscal ainda trabalha? Ou posso mudar a lâmpada e enviar a despesa para a Câmara? Pensando melhor, se calhar é preferível esperar pelo fiscal, pois ele tem aparelhos adequados para o correcto desempenho da função e respeitando as normas de segurança e higiene no trabalho: o bloco de notas e a esferográfica.
Ninguém sabe disto mas cheguei a trabalhar durante um par de meses como carteiro. Foram os meus amigos que me convenceram a aceitar o trabalho. Diziam que "um bom carteiro leva sempre a carta a 'Garcia'". Desisti de ser carteiro no dia em que me pediram para levar uma carta ao hospital Garcia de Orta e vi lá acamado o Garcia Pereira. Que visão deprimente. A partir daí passei a ser carteirista que é quase a mesma coisa. No preenchimento do IRS o código da função até é o mesmo dos 'adbogados'.
Uma vez candidatei-me a uns concursos que abriram em algumas empresas do majestoso EcoParque Industrial de Estarreja. Eles mandaram avisar que os primeiros a chegar ficavam imediatamente com os postos de trabalho. Perdi um 'tempão' do caraças nos 26 semáforos quem vai do centro de Estarreja para a Arrotinha e quando cheguei ao EcoParque, as vagas estavam todas preenchidas, pois já tinham chegado 2 pessoas antes de mim. Foi chato, porque se as vagas fossem para 3 eu teria conseguido. Mas o pior até nem foi isso. Foi o facto de uma dessas pessoas que chegou lá mais cedo ter-me ultrapassado no sinal alaranjado. Os factos são evidentes: ele entrou porque está 'feito' com o PSD.
Na minha juventude tinha o sonho de ser meteorologista e assim ser eu a mandar no tempo. Se alguém me arreliasse e não me deixasse fazer o que me apetecia, era logo enviada uma massa de frente fria para cima do infeliz. A minha mãe sempre dizia "eles dão chuva" e eu tentava logo saber quem eram eles para perguntar-lhes o que seria necessário preencher para também eu ter esse poder. Eles responderam que bastava preencher a ficha de inscrição no PSD-Estarreja, pois esses artistas é que mandam no tempo como ninguém, especialmente quando o tempo para as próximas eleições começa a escassear e é preciso fazer alguma coisa. Depois, a seguir à vitória, eles dão um tempo. Enfim, são uns mestres a mandar no relógio.
Um dia encontrava-me deitado no areal da Torreira e lembro-me até que estava bastante 'queimado'. José Eduardo de Matos abeirou-se de mim e perguntou se a obrigatória licença de 25 euros para efectuar queimadas já estava levantada. Respondi-lhe que "naquele dia já tinha levantado muita coisa mas no preciso momento em que ele me apareceu à frente perdi a vontade de levantar o que quer que fosse".
José Eduardo virou costas e lá continuei estendido na toalha a pensar na 'morte do bezerro'. A meio do meu pensamento profundo veio subitamente à memória aquela frase dita por um famoso 'não sei quem', que era mais ou menos assim: "penso b'logo existo". Foi aí que se deu o 'click' que faltava para orientar a minha vida. Criei um blogue e a minha existência passou a ser do melhorio. Foi a partir daí que comecei a receber 'e-mails' de pessoas famosas que apenas estava habituado e ver desfilar nas páginas do Jornal de Estarreja e do social local.
Eu, um simples mortal, aqui a receber informações ultra-secretas da governação estarrejense!!?? Nem nos meus melhores sonhos imaginei que algum dia isso fosse possível...
E posso dizer que tive muitos sonhos!
Um deles era ser pescador. Tentei mesmo ser pescador mas o meu anzol só tirava latas de óleo do fundo da Ria. Chegaram mesmo a aconselhar-me: "ó rapaz, tu assim ficas mesmo bem oleado para ires a Madrid desafiar o Cristiano Ronaldo como fez o Mendonça no desafio Castrol." Mas não me apeteceu e até nem me calhava bem ir a Madrid nessa semana, pois estava para acontecer o final da telenovela e tinha a curiosidade de saber com quem ia ficar a Marlene. Apesar de raramente assistir a telenovelas e bigues-brothers.