Assim uma espécie de João Marcelino ou de Martim Avilez. Para quem não os conhece, basta dizer que o primeiro foi durante muitos anos analista futebolistico, ou seja, uma espécie de nosso João Evangelista, mas em versão "futebol a sério", ou seja, mais comedido e menos anedótico. Portanto, se há treinador de bancada com aptidão para o analismo politico, é o Marcelino. O apelido é que não ajuda, pois parece nome de padeiro e fica muitos pontos atrás de um Rebelo, de um Júdice, de uma Roseta ou de um Nobre Guedes. O Avilez tem um apelido forte e adequado para a área do analismo profissional, mas tem a desvantagem de mandar num jornal nacional intitulado "I". Ora bem, se os requisitos para se ser analista politico num canal de televisão são apenas estes, então sinto-me habilitado para o exercício da função, pois sou director interino de um blogue que tem no titulo mais letras, números e símbolos que o jornal desse senhor (99% Politica - 2 números, 8 letras e 1 símbolo). Ao nível do dirigismo de bancada, das pipocas e das pantufas, não conheço ninguém melhor que eu, venha o Avilez que vier.
Mas que raio tem esta nova vaga de analistas em especial? É pá, são giros na medida em que percebem tanto de politica como eu percebo de engenharia civil, como percebe o Adolfo Vidal, que não percebe de rimas, mas disso percebe o Diamantino. Só que esta recente geração de analistas possuem uma grande vantagem, se comparados comigo. São legítimos donos e possuidores de um portátil onde estão inseridos todos os dados importantes da vida politica portuguesa relativa aos últimos 30 anos. As abstenções, os vetos, as tomadas de posse, os desmaios, as exonerações, os processos jurídicos e todas as estatísticas em geral. Sempre que o moderador televisivo questiona o Marcelino e o Avilez sobre algo, eles primeiro fazem uma pausa, tentam perceber aquilo que é pedido, bebem um golo de água proveniente daqueles copinhos que estão sempre cheios em cima do balcão, e depois de uma rápida pesquisa no portátil, eis que a nossa ignorância sobre as matérias politicas é saciada em forma de gráfico estatístico. Podemos ficar à mesma sem saber porque é que a Manuela perdeu as legislativas, o Marcelino e o Avilez também não sabem, mas assim que consultam o aparelho dizem-nos prontamente que esta propensão para a Manuela perder eleições já vem do tempo da escola secundária onde a chefe - até ver - do PSD costumava perder todas as votações paras as listas concorrentes à associação de estudantes. E assim se dá a volta à questão...
Estes analistas não precisam de assimilar profundamente o fenómeno politico, pois o portátil, tal como o Liedson, resolve. Mas agora, já me sinto mentalmente preparado para entrar nesta selva que é mercado de trabalho do analismo profissional. Assim que o meu puto receber a nova geração de "Magalhães", vou pegar no dito e no meu currículo de director de serviço noticioso blogosférico de cariz anónimo e candidatar-me aos concursos que as estações de televisão costumam promover a cada nova legislatura para admissão de novos "comentadeiros". O futuro deste país passa muito por isso. O futuro deste país é todos atrás de um balcão a consultar um portátil e a analisar "coisas" vitais para o bom funcionamento do "coiso". E olhem que esta forma original de ganhar a vida já chegou a Estarreja. É vê-los no novo bar do parque municipal todos recostados nos sofás a beber uma fresquinha e a consultar os dados no portátil. Gosto quando um se vira para o parceiro - também ele analista portátil de "coisas" - e diz que o Orçamento de Estado para os próximos 7 anos está todo calculado no seu aparelhinho de regaço. Mas gosto ainda mais, quando o analista de parque municipal defende a sua tese alternada com potentes arrotos provocados pelos gases da Imperial.
E é precisamente neste aspecto que irei marcar a diferença relativamente aos restantes analistas de TV e é por isto que tenho a certeza que irei lá chegar a curto prazo. Irei ser o primeiro analista a usar o portátil em estúdio, não para consultar "coisas", mas para servir de base ao copo da Imperial e ao pires dos tremoços, peças essenciais ao bom funcionamento de qualquer debate sobre a actualidade. Não há nada como "escorrer" sobre um assunto, ao mesmo tempo que a cerveja "discorre" pela garganta. Ou será o contrário? Bem ...não interessa! Também aqui o portátil será de grande utilidade, pois assim que vislumbrar o fundo ao vasilhame, basta carregar no botão de abertura do portátil e os respectivos copo e pires irão pelos ares até à "régie" da estação, onde será renovado o stock de petiscos para mais meia hora de analismo politico...


























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