Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Anita e a minha 1ª manifestação

Das inúmeras manifestações populares que a Pç. Francisco Barbosa já teve o prazer de contemplar, guardo na memória, com saudade, aquele protesto massivo contra a hipotética possível e provável instalação da incineradora em território estarrejense. A coisa não chegou a ir para a frente mas tenho quase a certeza que ao ser instalada seria muito provavelmente na confluência da merda de Canelas e Fermelã, ali para as bandas do antigo mercado junto à ribeira canelense. A incineradora é conhecida por ser um "bicho" que requer muita água e água é coisa que nunca pararam de meter naquela zona. Perguntem às trutas e carpas que por lá costumavam fazer a sua vida que elas respondem...
Foi uma manifestação inesquecível porque, por um lado, juntaram-se centenas de ávidos protestantes unidos por uma só causa, ou seja, não teve nada a ver com manifestações recentes em que intervieram cerca de 6 populares (números do governo) ou 7 populares (números fornecidos pela comissão contra o encerramento das urgências). Foi uma manifestação inesquecível porque, por outro lado, e aqui reside o interesse maior, a massa protestante não estava minimamente ciente daquilo que estava a protestar...
As juntas de freguesia mobilizaram-se como nunca e lá arranjaram transporte para aquela gente toda, até a junta de Fermelã, imaginem só!!! Outros protestantes deslocaram-se de burro, o que não deixa de ser curioso porque se repararem, em todas as manifestações há sempre um burro metido ao barulho, coitado do desgraçado que estava tão sossegado a pastar na lezíria. Outros protestantes ainda, deslocaram-se a pé porque moravam nas proximidades e à falta de melhor para fazer naquele dia, lá penetraram na multidão "furibunda". O objectivo inicial era protestar contra a possível decisão do governo em "incinerar" Estarreja, mas a coisa começou a descambar assim que os garrafões começaram a ser "desarrolhados" e respectivo néctar dos deuses começou a jorrar pelas goelas abaixo...
Entretanto chegaram as televisões e a partir daí foi o inicio do fim daquela mega manifestação. Numa das entrevistas em directo a um enfurecido popular (e a avaliar pelo aspecto, já aparentando um pouco de "pinga" até porque esta coisa de manifestarmos a nossa indignação dá sede), a repórter colocou uma fácil questão ao sujeito: "qual a razão deste levantamento popular?"
E a resposta do tal popular de rosadas bochechas que era nem mais que o popular que estava mais à mão da jovem jornalista, não se fez esperar:
"hoje estamos todos aqui...hips...hips...porque não queremos que a incira...inci...incinhi...hips...incinadora...venha para cá para Estarreja".
Perante esta vincada declaração a repórter contra atacou:
"mas sabe o que é e para que serve a incineradora?"
O popular que já mal se aguentava nas débeis "canetas" e com o hálito a ficar cada vez mais agressivo retorquiu:
"olhe...hips...eu não sei muito lá bem explicar...hips...mas o meu vizinho diz que é uma coisa muito má...hips...para nós...hips...e não queremos que isso venha estragar a nossa terra...hips...VIVA ESTARREJA...hips"
Que saudades meu Deus! Que saudades!! Isto sim eram manifestações verdadeiramente à portuguesa. Um burro de 4 patas, um burro de duas e um garrafão de tinto...

2 pareceres anónimos:

Anónimo disse...

Isso sim ... eram tempos em que a malta da câmara municipal lutava!!! E não precisavam de se fantasiar de "pirata".

Sim,para quem quis ver,depois do anúncio a cores e ao vivo na Praça da Alegria, o nosso Zé sempre cumpriu a promessa e andou mascarado de pirata.. nada lhe teria assentado melhor!!!! Será que esta fantasia tem a ver com o verdadeiro saque às areais do eco-parque da nossa cidade?

Anónimo disse...

Ai que este comentário cheira tanto a perfume feminino... e bravo!!