«Tenho que reconhecer que nem sempre é fácil explicar porque razão certas obras são como são».
...porque se calhar não se sabe bem o que são e para que servem. Ou então ninguém se deu ao trabalho de explicar, até hoje!
Ponto 1 - num Inverno anormalmente rigoroso como este, havendo ou não um açude, comporta ou represa instalado no Rio Antuã, iriam haver cheias de qualquer maneira, fruto das características hidrológicas da zona onde nos inserimos. Portanto, não é isso que está em causa, como tentei explicitar no post "vamos nadar Estarreja".
Ponto 2 - o que está em causa é que o açude foi apresentado com pompa e circunstância sob a bandeira da criação de um espelho de água para fins de ócio no Verão e para facilitar o vazamento do caudal do rio no Inverno.
Ponto 2.1 - no caso especifico do Inverno foram utilizados termos bajuladoramente nobres relativos à utilidade do açude tais como «descarregador de caudal elevado», «evitar estragos de maior monta a jusante», «propiciar o desassoreamento do rio» ou «regularização das margens».
Ponto 2.2 - sabendo-se que em casos de caudal muitíssimo elevado, como veio a acontecer, tais sublimes características nada iriam alterar relativamente a iguais situações de cheias verificadas noutros anos, a linguagem e os termos técnicos utilizados podem ser entendidos como falaciosos e destinados a tentar passar ao comum dos leigos, onde eu me incluo, que o açude era a resposta definitiva ao problema das cheias invernais do Antuã. Portanto, estamos perante mais um caso em que as declarações feitas no dia de inauguração da obra não comungam com a real utilidade da dita.
Ponto 3 - no caso especifico do Verão, também não vejo quais serão os benefícios associados à instalação do açude pois o mesmo já passou praticamente um Verão inteiro ao serviço da população e das vezes que lá passei não vislumbrei qualquer melhoria na relação beleza/limpeza/graciosidade/frescura e qualidade de vida do dito curso de água. Vi foi uma lagoa artificial pejada de lixo de origens várias. Dá a impressão que o açude foi para lá deixado com a espinhosa missão de, sozinho, resolver os problemas naturais do Rio Antuã.
Ponto 4 - contudo, um aspecto há que é dado como certo e que veio a revelar-se uma verdade indesmentível com base nesta noticia de 12 de Junho transacto. Estarreja é hoje uma cidade mais virada para o rio e o Parque Municipal é hoje um parque muito mais fresco.
«Tenho que reconhecer que nem sempre é fácil explicar porque razão certas obras são como são».
1 pareceres anónimos:
Caro Fermelanidades de Matos:
Que me diz ao texto assinado pela comissão política do psd de Estarreja, que saiu na página 2 do "jornal de Estarreja"?
Não perca.
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